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A Rede Sem Fronteiras é um espaço de articulação sul-americana de organizações que trabalham com emigrantes, imigrantes, deslocados internos e refugiados, e de organizações especializadas na promoção e defesa dos Direitos Humanos, que surge à partir das iniciativas dos emigrantes, imigrantes e organizações, durante o marco do II Fórum Iberoamericano sobre Migração e Desenvolvimento (FIBEMYD), na cidade de Cuenca, no Equador, em 11 de abril de 2008. Esse é o caso de diálogo e análise do status das Políticas Migratórias na América do Sul, numa perspectiva dos Direitos Humanos, com ênfase nas diversidades (gênero, etnia e geração), visando formular propostas alternativas de políticas públicas, projetos de lei e programas, a serem aplicadas integralmente na região.

Sua missão é influenciar políticamente os órgãos de decisão da CAN (Comunidade Andina das Nações), o MERCOSUL (Mercado Comum do Sul) e a UNASUL (União das Nações Sulamericanas) para um reconhecimento abrangente dos direitos do trabalho, econômicos, sociais, culturais, ambientais, políticos e civis dos emigrantes, imigrantes, deslocados internos, refugiados e suas famílias. Almejamos promover uma cidadania sul-americana e a livre residência e trânsito no âmbito da UNASUL, para contribuir com a consolidação de uma identidade sul-americana soberana, pluricultural e multilingüe, livre de xenofobia e qualquer outra forma de discriminação.

Influenciará para que os Estados Partes sul-americanos ratifiquem e implementem a Convenção Internacional sobre a proteção dos direitos de todos os trabalhadores migrantes e suas famílias, e das Convenções 97 e 143 da OIT, e queles outros que não assinaram esses instrumentos internacionais a que se aderiram os mesmos, assim como prestar toda cooperação as Relatorias Especiais da ONU e da OEA sobre direitos humanos dos migrantes e suas famílias. Exigirá que a ONU e a OEA tenham uma participação maior e plural dos cidadãos sul-americanos nas comissões, comitês e outros espaços de decissão destes organismos multinacionais.

Impulsionará uma campanha continental para que a ONU e a OEA imponham sanções aos países do sistema que atentem contra a soberania alimentar, energética e política dos povos. Constituirá uma ação continental contra os muros e valas, mesmos que merecem uma censura irrevogável por parte da ONU e dos povos do mundo, (lembrando que milhares de seres humanos perdem a vida em seu intento de buscar os meios necessários para sua sobrevivência e de suas famílias).

Denunciará o atual modelo econômico produtivo como a principal causa das expulsões e deslocamentos de homens e mulheres de seus territórios originários. Impulsará e coordenará a articulação interinstitucional com atores estratégicos como são os organismos internacionais, os movimentos sociais, as associações e organizacões de emigrantes, imigrantes, deslocados internos e refugiados, organizações empresariais, as centrais sindicais da América do Sul e seus pares nos países de destino.

Promoverá todas as iniciativas necessárias para convergir com outros processos regionais e hemisféricos a favor do pleno exercício de cidadania dos emigrantes, imigrantes, deslocados internos e refugiados, mediante acordos com as comunidades de migrantes nos países de destino. Formulará propostas alternativas para as políticas restritivas e excludentes dos Estados de origem, trânsito e destino dos maiores fluxos migratórios, em especial das políticas de retorno forçado e da carência de políticas de real inserção social e cultural.

Os estados do primeiro mundo deveerão ser impulsionados a combater flagelos como tráfico de seres humanos, contrabando de migrantes, tráfico de órgãos, prostituição, exploração do trabalho e trabalho escravo, que atentam contra a vida e a dignidade das pessoas. Por isso, devem esforçar-se na erradicação definitiva desses crimes, implementando ações em seus próprios países. Que se busquem novas estratégias sociais, para que a incidência real e efetiva de homens e mulheres migrantes no desenvolvimento dos países anfitriões sejam visíveis.

Buscará as ferramentas necessárias para a construção de espaços de participação política por meio da Lei do Voto, que garanta aos imigrantes e emigrados não apenas a obrigação de votar, mas também de ser eleito.

É necessário conter a tarefa de alguns organismos internacionais que afirmam que a governança do problema migratório deve ser gerenciada, promovida e liderada por agências internacionais que formam parte das estruturas hegemônicas do sistema mundial, quando o que é necessário é a socialização e cidadania das políticas migratórias como resposta ao fortalecimento das políticas restritivas da União Europeia e dos Estados Unidos, entre outros.

Tornar visível a discriminação inerente as políticas migratórias seletivas praticadas pela União Europeia e outros, orientadas a incentivar e facilitar a migração de jovens professionais e técnicos de primeiro nível, êxodos que enfraquecem os processos de mudanças que vem ocorrendo na região. Isso acompanhará e monitorará as políticas migratórias implementadas na estrutura regional.