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Por Lígia Melo

Ocorreu no dia 14 de janeiro de 2021 o segundo webnair do Fórum Social Europeu das Migrações, com o tema Interseccionalidade das lutas: direitos ambientais, culturais e sociais. Com as participações do presidente del Consejo para la Eliminación de la Discriminación Racial o Étnica en España Antumi Toasijé, da deputada del Parlamento Español y activista social por los derechos humanos Maria Dantas, do escritor, jornalista e ativista social dos direitos humanos Jean Wyllys e da presidente da CliMates Lucie Pélissier e mediação da Mariana Araújo da Casa da Gente.

Durante duas horas e meia, os convidados puderam compartilhar as suas visões sobre o tema proposto. Após uma breve introdução realizada pelo Paulo Illes da Rede Sem Fronteiras, o professor doutor Antumi Toasijé deu uma aula sobre a origem do racismo , mostrando que a ideia de racismo não existiu até a expansão Europeia em outros povos, e a necessidade de se ter um argumento para justificar essa submissão e continua-la. O racismo como ideologia é um argumento usado por quem tira o poder e o povo que tira o poder gera uma ideia de supremacia. Até o século XVIII era um racismo religioso, baseado em sangue puro e não puro, após o século XVIII começou a ter um caráter científico.

Jean Wyllys, mostrou que os choques de cultura se iniciaram com as grandes navegações, com a globalização e tiveram consequências com a submissão de nações, a prática de genocídio, de imposição da religião e do patriarcalismo. Pontuou como, que nesses momentos de crises econômica e ambiental que estamos passando, a extrema direita usa a vontade de algumas pessoas de querer a volta desses valores antigos, como método de campanha de retorno ao Nacionalismo. Concluiu a sua participação dizendo, que o trabalho da interseccionalidade é antes de tudo costurar aquilo que a extrema direita tenta dividir, e também que há opressões dentro das opressões, como no caso de comunidades que são oprimidos por sua religião, cor da pele, mas que tem uma inferiorização de gênero, a opressão dos heterossexuais contra a comunidade LGBT. E nos deixou o questionamento de como podemos nos unir por uma causa maior que é o problema climático que enfrentamos.

A Deputada do Parlamento Espanhol, a brasileira Maria Dantas pautou a sua participação dando prioridade a falar sobre os Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (DESC). Explicou que a não garantia dos DESC está muitas vezes relacionada com as violações dos direitos civis e políticos em forma de negações reiteradas. O Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais foi ratificado em 2008, derivado de tratados internacionais de direitos humanos e os estados são obrigados a garantir a todos os cidadãos o direito dos DESC. Maria chamou atenção a questão de moradia na Espanha e do racismo ambiental, dando como exemplo aonde ficam localizados os aterros sanitários nas cidades, se são em bairros ricos ou pobres. E finalizou dizendo que os movimentos sociais, de rua, de quaisquer tamanhos que sejam impactam no cumprimento dos direitos DESC.

O debate foi finalizado por Lucie Pelissier, presidente do Instituto Climates, que nos apresentou o resultado de uma pesquisa sobre a questão ambiental e a migração ambiental que terá seus dados completos divulgados em fevereiro de 2020.  Lucie começou a apresentação dela, usando a definição da Organização Internacional dos Migrantes para imigrante ambiental. Um dos resultados da sua pesquisa foi que os países do sul global são ainda os mais afetados por questões ambientais e que geram mais migrantes ambientais. E que as associações ambientais não têm uma preocupação tão grande com a interseccionalidade quanto as associações de solidariedade.

E para quem não teve oportunidade de acompanhar ao vivo o webnair, o vídeo está disponível na página do Facebook do Fórum Social Europeu de Migração. E convidamos a todos a marcar na agenda o nosso próximo webnair que será realizado no dia 18 de fevereiro as 14hrs (horário de Lisboa-PT), sobre direitos Políticos com o tema: Transformação dos Sistemas Políticos- estratégias alternativas de governança, estratégias de organização e participação política das pessoas migrantes e refugiadas, papel das autoridades locais, das universidades e da sociedade civil, políticas públicas e participação social.